[[legacy_image_169863]] A remoção do lixo encontrado em equipamentos e instalações dos sistemas de esgotamento sanitário na Baixada Santista custa à Sabesp cerca de R\$ 18 milhões por ano. Esse gasto é necessário para a retirada de materiais que não deveriam estar nessa rede, como absorventes, cabelos, garrafas PET, embalagens e preservativos — que correspondem quase à metade de todos os resíduos sólidos recolhidos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De acordo com o gerente do Departamento de Gestão e Desenvolvimento Operacional da Sabesp na Baixada Santista, Humberto do Nascimento Ferreira, se a população sempre despejasse lixo adequadamente, a despesa com o trabalho de limpeza seria menor. “Isso não significa que zere um dia, até por causa da areia (que é incluída como resíduo sólido), mas (o investimento) pode ser reduzido a uma proporção mais adequada. Algo vai chegar, mas poderíamos trabalhar com números menores.” Ele explica que o esgoto chega à rede coletora por diversos meios. “Seja pela pia da cozinha, (do ralo) do chuveiro, na pia do banheiro. Cada material jogado no vaso sanitário acaba atingindo a rede de esgoto”. Ferreira enfatiza que o reflexo é notado nas redes coletoras ou estações elevatórias e de tratamento de esgoto, onde os resíduos são recolhidos. Apenas de janeiro a março deste ano, 1.447 toneladas de resíduos sólidos foram recolhidas. Do total, 644 toneladas (44,5%) são lixo. Se o volume persistir nos próximos meses, o total deste ano ultrapassará as médias dos últimos cinco. O maior resultado foi registrado em 2019, quando 5.310 toneladas de resíduos sólidos foram retiradas das estações da Baixada Santista, das quais 2.306 toneladas de detritos (43,3%). ServiçoAs consequências dessa situação no sistema da Sabesp variam, segundo Humberto Ferreira. “O primeiro lugar que se atinge é a rede coletora, podendo causar obstrução. Se não ocorrer, vai parar em outro ponto, que é a estação elevatória, onde há o sistema de bombeamento que faz o recalque desse esgoto de um ponto para o outro”, explica, dizendo que o terceiro ponto é a estação de tratamento de esgoto. Em cada caso, a Sabesp faz limpeza preventiva ou corretiva. “As preventivas são aquelas feitas com certa periodicidade. Corretivamente, é quando existe a obstrução”, relata, explicando que a limpeza preventiva é realizada nas 340 estações elevatórias da Baixada Santista, com frequência que varia conforme a demanda. “Nas estações de tratamento de esgoto, (o trabalho) é contínuo. Existem equipamentos que ficam 24 horas por dia retirando o resíduo sólido que chega porque, para fazer esse tratamento, tem que estar somente o esgoto”, enfatiza, dizendo que a terceira opção é a corretiva, quando há obstrução. Resíduos líquidosHumberto do Nascimento Ferreira enfatiza que, apesar de não aparecerem nos dados, os resíduos líquidos também prejudicam muito os sistemas de esgotamento sanitário. “São os óleos e as graxas. Eles formam camadas de gordura e chegam até nossos equipamentos, se agregando ao lixo. Formam incrustação na rede, o que propícia obstrução”. O problema, porém, pode ser evitado com a conscientização das pessoas. De acordo com Ferreira, a Baixada Santista tem inúmeras fontes coletoras de óleo. “(O despejo) É da atividade humana, mas entra a questão da consciência”, considera.